O 17º Fórum Nacional de Dança (FND), um dos principais articuladores coletivos do setor no Brasil desde sua criação em 2001, reuniu representantes de todo o país entre os dias 20 e 23 de maio, no Centro Cultural São Paulo (CCSP). O evento focou nos próximos passos para a regulamentação da Lei da Dança, sancionada recentemente em abril deste ano, visando a construção de políticas públicas e o fortalecimento profissional da categoria em âmbito nacional.
Profissionais de diversas frentes da dança de Santa Catarina marcaram presença no Fórum. Entre eles, destacaram-se Samuel Carvalho, arte-educador e produtor cultural de Balneário Camboriú, atuante nas danças urbanas e políticas culturais; Maxwell Sandeer Flôr, de Criciúma, atual Conselheiro Estadual de Cultura; Lígia Martins, de Blumenau, presidente da APRODANÇA – Associação dos Profissionais da Dança de Santa Catarina; e Marina Coura, de Florianópolis, diretora da Garagem da Dança e representante do Setorial de Dança no Conselho Municipal de Política Cultural da capital. A participação desses profissionais foi crucial para levar as demandas regionais ao debate nacional.
Um dos eixos centrais do Fórum foi a discussão sobre a regulamentação da profissão da dança, após a sanção da Lei da Dança pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os debates envolveram estratégias para a valorização profissional, proteção trabalhista e o fortalecimento das associações estaduais, com o objetivo de construir coletivamente as diretrizes para a regulamentação nacional da dança. Samuel Carvalho enfatizou a importância de trazer as vivências da educação pública, dos projetos sociais e das danças urbanas de Santa Catarina para o debate. "Ocupar esses espaços é uma forma de garantir representatividade e construção coletiva, pois muitas vezes periferias e artistas locais ficam excluídos dos grandes debates culturais", afirmou o arte-educador. Com uma trajetória de mais de 16 anos na dança e cultura urbana em Santa Catarina, Carvalho tem forte ligação com Balneário Camboriú, onde é oficineiro da Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família e foi Conselheiro Municipal de Cultura.
Outro ponto crucial debatido foi a dificuldade de empregabilidade para os profissionais da dança em Santa Catarina. Os participantes apontaram que muitos eventos culturais no estado frequentemente contratam artistas de fora, sem dialogar com as setoriais locais, o que limita as oportunidades para bailarinos, dançarinos, coreógrafos e arte-educadores catarinenses. A reflexão se estendeu aos grandes festivais competitivos realizados em Santa Catarina, como o internacionalmente reconhecido Festival de Dança de Joinville. Apesar de sua relevância histórica e artística, esses eventos muitas vezes focam no público amador, onde grupos e bailarinos arcam com custos de inscrição, hospedagem e figurino, sem remuneração profissional. Esse cenário contribui diretamente para a dificuldade de geração de trabalho e renda para os artistas do estado.
Diante dos desafios levantados, os profissionais catarinenses presentes no Fórum Nacional de Dança definiram como prioridade o fortalecimento da Associação dos Profissionais da Dança de Santa Catarina (APRODANÇA). A iniciativa visa reconectar a entidade com todas as setoriais de dança do estado, ampliando os debates sobre representatividade, políticas públicas e a valorização dos trabalhadores do setor. Entre as propostas discutidas, está a possibilidade de criação de um Sindicato da Dança de Santa Catarina ou o fortalecimento de uma diretoria ativa da dança dentro de estruturas já existentes, buscando assim maior autonomia e impacto nas políticas culturais e na empregabilidade dos artistas.

