A Praia do Rosa, um refúgio conhecido por suas belezas naturais em Santa Catarina, tem atraído um fluxo expressivo de jovens turistas argentinos, especialmente na faixa etária de 19 a 22 anos, durante este verão. Este fenômeno marca uma mudança geracional no perfil dos visitantes, que seguem um circuito que antes os levava a outros destinos como Pinamar e Chapadmalal, mas que agora culmina no Rosa. A alta demanda resultou em uma ocupação quase total das acomodações, com proprietários adaptando suas propriedades para alugar a grupos adolescentes e famílias.

A praia, que historicamente se consolidou como um destino de surfistas e, posteriormente, como um local familiar, atravessa um período de transição. A convivência entre turistas que frequentam o local há décadas e a nova leva de jovens tem gerado algumas tensões. Relatos indicam que a desordem deixada após eventos como o 'after beach' incomoda os frequentadores mais antigos, acostumados a um ambiente mais preservado. Essa nova dinâmica social se reflete na própria divisão da praia: o sul é predominantemente frequentado por brasileiros, o centro por famílias argentinas, e o norte pulsa com a energia juvenil, marcada por música e encontros que se estendem até o fim da tarde.

Moradores e frequentadores de longa data observam as transformações com uma mistura de nostalgia e adaptação. Patricia Demarchi, que frequenta a Praia do Rosa há 25 anos, relembra de um tempo em que o local era mais rústico e de acesso restrito. "Viemos porque meu marido surfa desde muito novo. Esta era a praia. Tudo isso não existia, era só morro e havia apenas um restaurante", conta. Bernardo Cassagne, pai de um grupo de jovens que alugou uma casa separadamente, confirma a dificuldade em encontrar hospedagem e a proliferação de casas alugadas para grupos. "Nunca vi tantos jovens de 17 a 20 anos como neste ano. Nunca esteve assim", descreve.

José Muñiz, conhecedor do local desde os anos 1990, estima uma ocupação próxima de 90% a 95%, apesar da dificuldade em obter dados precisos devido à informalidade de algumas pousadas. Ele aponta que os preços acompanham a demanda, com diárias de acomodações podendo chegar a US$ 100 por cama em pousadas de qualidade, e até US$ 600 por dia para casas maiores. Muñiz também lamenta a questão da limpeza após os eventos jovens, mencionando a presença de resíduos na areia. Patricio Bengoa, proprietário da Pousada Kirana, descreve a temporada como intensa, com um público majoritariamente argentino, mas ressalta que, neste ano, a convivência entre os jovens e as famílias hospedadas tem sido boa, sem reclamações.