A Operação Gaiola Digital, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), transcendeu o âmbito jurídico e assumiu o centro do debate político em Balneário Camboriú. A investigação, que ainda está em andamento, foca em supostas fraudes em licitações e contratos públicos, levantando questionamentos sobre a fiscalização e a atuação das administrações municipais ao longo dos anos. A empresa sob investigação mantém vínculos com a Prefeitura desde 2012, tendo participado de 30 licitações e recebido mais de R$ 6,8 milhões.
As apurações do Ministério Público de Santa Catarina abrangem o período de 2012 a 2025, cobrindo três gestões municipais distintas. O foco principal da investigação recai sobre servidores públicos, ex-integrantes do primeiro escalão da administração e empresários envolvidos. É importante ressaltar que, até o momento, as decisões judiciais proferidas não atribuem responsabilidades diretas aos prefeitos que lideraram o município nesse intervalo.
No entanto, a discussão nas redes sociais tem ganhado um forte tom político, com internautas questionando como um esquema de fraudes poderia persistir por tanto tempo sem o conhecimento dos chefes do Poder Executivo. O ex-prefeito Fabrício Oliveira, que administrou Balneário Camboriú entre 2017 e 2024, tem sido um dos principais alvos das cobranças, visto que sua gestão representa mais da metade do período investigado. Oliveira, que agora se posiciona como pré-candidato a deputado federal, reagiu às críticas, defendendo a necessidade de governantes focarem em seus mandatos e obrigações.
As discussões também alcançaram o ex-prefeito Edson Piriquito (2009-2016), com questionamentos sobre o início de um eventual esquema durante sua administração. Em resposta à operação, a atual prefeita Juliana Pavan determinou a instauração de uma auditoria pela Controladoria-Geral do Município para analisar os contratos firmados com a empresa investigada, especialmente os 22 contratos assinados entre 2022 e 2024. Uma servidora foi afastada de sua função gratificada. Além disso, a prefeitura informou que encaminhou ao Ministério Público os processos administrativos relativos a licitações e contratações emergenciais entre 2021 e 2023 e trabalha na substituição dos sistemas fornecidos pela empresa em questão. O impacto da operação se estende ao cenário político, com a confiança na gestão e a eficiência da fiscalização de contratos se tornando temas cruciais em ano pré-eleitoral.

