Uma mulher de 31 anos morreu em Balneário Camboriú após usar uma caneta emagrecedora com tirzepatida, vendida como Mounjaro, sem acompanhamento médico. A vítima, moradora de Camboriú, passou mal na casa do sogro, em BC, no dia 1º de maio, um dia após aplicar a quarta dose do medicamento, que teria sido contrabandeado do Paraguai.
O caso foi relatado pelo sogro da vítima à rádio Menina, de Balneário Camboriú, servindo de alerta para os riscos do uso da substância sem orientação médica e sem garantia de origem e qualidade. Conforme o sogro contou à emissora, a aplicação do Mounjaro foi feita por uma pessoa sem conhecimento técnico. A nora dele passou mal logo após acordar, e foi encontrada caída dentro de casa.
O Samu atendeu a vítima em estado grave de baixa pressão arterial e arritmia cardíaca, sendo levada para uma Unidade de Pronto-atendimento (UPA), onde teria sofrido três paradas cardíacas. Diante da situação, a mulher foi transferida para o hospital. Ele ainda outras três paradas cardiorrespiratórias, foi entubada, mas não conseguiu se recuperar e faleceu.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que o uso das canetas emagrecedoras com medicamentos de origem desconhecida e com aplicação por conta própria, sem acompanhamento médico, traz risco à saúde. Entre as principais reações estão queda de pressão arterial, desidratação e complicações intestinais, como náuseas, vômitos e diarreia.
A secretaria de Saúde de Balneário Camboriú informou que a paciente deu entrada na UPA das Nações no dia 1° de maio, conduzida pelo Samu, em estado grave. “A equipe médica e de enfermagem realizou manobras imediatas de estabilização, incluindo suporte avançado de vida e ventilação mecânica”.
Ainda segundo a pasta, após a estabilização do quadro crítico e reversão de episódios de parada cardiorrespiratória, a paciente foi transferida, sob escolta da equipe do Samu, ao Hospital Regional Ruth Cardoso para a continuidade do tratamento especializado e uma rigorosa investigação do quadro clínico.
“A secretaria reitera o compromisso da unidade com a excelência no atendimento de urgência e o total sigilo das informações clínicas da paciente”, justificou o órgão.
A Anvisa tem apertado o cerco contra o uso irregular de canetas emagrecedoras, apreendendo produtos de origem desconhecida e criando normas pra prescrição e uso seguro das substâncias. As ações abrangem medicamentos injetáveis do tipo GLP-1, entre semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida. Para o uso, o órgão exige prescrição médica, com retenção da receita pela farmácia.
No Brasil, o órgão proibiu em abril a venda de canetas emagrecedoras sem registro no país e anunciou um plano de monitoramento de segurança para o produto. Na quinta-feira passada, foi determinada a apreensão dos medicamentos Slimex MD e Slimex, de tirzepatida, fabricados por empresa de origem desconhecida.
Também nesta semana, Anvisa e Polícia Federal publicaram nota técnica pra orientar a atuação integrada do poder público no enfrentamento dos riscos sanitários e dos crimes associados à produção, importação e venda irregulares das “canetas emagrecedoras”. Os produtos apreendidos serão analisados pra saber que tipo de substâncias tem dentro.
Dados do órgão mostram um aumento expressivo de efeitos adversos ligados aos usos dos medicamentos. Entre 2018 e 2026, foram registradas quase três mil notificações, mais da metade delas em 2025, com casos graves e mortes.
Na área criminal, a Polícia Federal toca investigações contra esquemas ilegais de venda das canetas em larga escala, por meio da internet, com a importação irregular de insumos. Em abril, uma operação bateu em clínicas, importadoras e farmácias de 12 estados.
Em 2026, foram 11 inspeções em farmácias e importadoras, com oito interdições por falhas técnicas graves e falta de controle de qualidade. Inspeções da Anvisa entre janeiro e abril interditaram oito dos 26 estabelecimentos, além da apreensão de mais de 1,3 milhão de medicamentos injetáveis irregulares e da adoção de mais de 11 medidas proibitivas envolvendo importação, comércio e uso desses produtos.
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.

