O cenário imobiliário de luxo em Balneário Camboriú presencia uma mudança de estratégia por parte de grandes construtoras. Em vez de focar na já consolidada verticalização da orla central, empresas do setor começam a direcionar seus investimentos para áreas menos óbvias, como as praias da Interpraias, ao sul da cidade. A proposta é desenvolver projetos de menor porte, com foco em exclusividade, arquitetura autoral e baixa densidade, contrastando com os arranha-céus que caracterizam a região central.

A principal justificativa para essa nova abordagem reside na escassez de novas áreas para empreendimentos de grande porte na orla central, combinada com as restrições ambientais e urbanísticas impostas a locais como Estaleiro, Estaleirinho e Taquaras. Essas limitações naturais e legais restringem a altura das construções, a ocupação do solo e o adensamento populacional, tornando essas regiões um terreno fértil para o desenvolvimento de imóveis únicos e de alto valor agregado.

Exemplos concretos dessa tendência já despontam no mercado. A Blue Heaven está desenvolvendo um empreendimento no Estaleirinho com apenas seis apartamentos distribuídos em três pavimentos, contando com a assinatura do renomado Studio MK27. Paralelamente, a AG7 anunciou um investimento de R$ 282 milhões para transformar o antigo Parador Estaleiro Hotel em seu primeiro projeto de alto luxo em Santa Catarina, com unidades que variam entre 300 m² e 450 m², e projeto arquitetônico de Isay Weinfeld.

A visão dos incorporadores é que existe um nicho de mercado para um luxo que valoriza a preservação ambiental, a baixa densidade habitacional, a segurança e a qualidade arquitetônica, sem a necessidade da ostentação vertical. O desafio, no entanto, reside em gerenciar o próprio discurso de exclusividade, que pode inadvertidamente atrair especulação e acelerar a corrida por esses terrenos, ameaçando justamente o ativo principal que os torna tão desejados: a limitação de ocupação e a beleza natural. Maurício Girolamo, CEO da J. Maurício, destaca que a escassez na Interpraias é impulsionada não apenas pelo mercado, mas por regras territoriais que protegem a natureza e limitam o avanço urbano.