Um total de 497 crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aguardam na fila por atendimento especializado em Balneário Camboriú. O número alarmante foi apresentado durante reunião da Comissão de Educação e Cultura, Saúde e Assistência Social (CECSAS) da Câmara de Vereadores do município, onde representantes da AMA Litoral e psicopedagogos expuseram propostas para aprimorar a rede de cuidados. A unificação das listas de espera, antes fragmentadas entre a AMA Litoral, a Casa do Autista e a Secretaria Municipal de Saúde, revelou a dimensão da demanda reprimida.

A Associação dos Pais e Amigos do Autista do Litoral de Santa Catarina (AMA Litoral) apresentou um modelo de fluxo de atendimento, fruto de discussões no Comitê de Acompanhamento criado pela prefeitura. O percurso proposto inicia na Unidade Básica de Saúde (UBS), segue para avaliação multiprofissional especializada no Centro de Avaliação Diagnóstica da AMA Litoral e, após o diagnóstico confirmado, o paciente é cadastrado na rede municipal para terapias em unidades como a sede e unidades da AMA Litoral, além da Casa do Autista.

O presidente da CECSAS, vereador Eduardo Zanatta (PT), destacou a importância da reunião para discutir a organização do fluxo e dimensionar a demanda. "A ideia é organizar esse processo, desde a entrada pela UBS, passando pelo diagnóstico, regulação e acesso às terapias", explicou Zanatta, ressaltando que o tamanho da fila de espera foi um dos pontos mais impactantes da discussão.

Como encaminhamento da reunião, a comissão aprovou a elaboração de uma indicação ao Poder Executivo para a criação de um departamento específico dentro da Secretaria de Saúde. Este novo órgão seria responsável por coordenar as políticas públicas voltadas a pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento, como TEA, Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Zanatta argumentou que, apesar da melhora nos fluxos, a ausência de uma estrutura dedicada dificulta o avanço, citando exemplos de municípios com secretarias exclusivas para a área.

Adicionalmente, foi debatida a capacidade de ampliação dos atendimentos. Atualmente, cerca de 300 pessoas são assistidas pela AMA Litoral e pela Casa do Autista. Contudo, com o aumento de investimentos para a contratação de profissionais multidisciplinares, a estrutura existente teria potencial para atender aproximadamente 240 pacientes adicionais, o que seria crucial para reduzir a longa fila de espera.