O secretário de Segurança de Balneário Camboriú, Araujo Gomes, afirmou que o município mantém um cenário consolidado de segurança pública, mas ainda enfrenta desafios pontuais que impactam diretamente a sensação de segurança da população. A declaração foi feita em entrevista ao Canal 100, nesta terça-feira, 28.
Segundo ele, a cidade “é, sem sombra de dúvida, o destino turístico mais seguro do país”, com os crimes violentos e a atuação de quadrilhas já controlados ao longo de décadas de trabalho integrado entre forças de segurança. Apesar disso, o secretário destacou que, em um contexto de altos padrões, questões consideradas menores em outras cidades acabam ganhando relevância local.
Entre os principais pontos de atenção, Araujo Gomes citou a presença de pessoas em situação de rua. De acordo com ele, embora o tema esteja ligado principalmente à assistência social e à saúde mental, há reflexos diretos na segurança. “Eles impactam diretamente aquela percepção de risco que faz com que as pessoas sintam medo e mudem sua rotina”, afirmou. O secretário acrescentou que parte desse grupo comete delitos e, nesses casos, “nós vamos atrás, batemos”.
A atuação, segundo ele, ocorre de forma integrada com diferentes setores da prefeitura, incluindo assistência social, saúde e zeladoria urbana. A estratégia envolve desde ações sociais até intervenções práticas no espaço público, como mudanças estruturais para evitar a permanência em determinados locais.
Outro desafio apontado é o microtráfico de drogas. O secretário explicou que há dificuldades legais para caracterizar o crime, especialmente diante da fragmentação da atividade entre vários envolvidos com pequenas quantidades. “Em Balneário Camboriú é muito comum o tráfico estar distribuído por 5, 6, 8 pessoas com pequena quantidade de droga”, disse. Ele destacou que, mesmo com abordagens policiais, muitas situações não resultam em prisão devido à legislação vigente.
Para enfrentar o problema, a Secretaria tem adotado estratégias como intensificação de abordagens e uso de tecnologia. “Desde que elas estejam em situação de suspeita […], se precisar a gente vai uma, duas, três, quatro, cinco vezes”, afirmou, ao comentar ações de revista em áreas críticas.
Os pequenos furtos também aparecem como preocupação recorrente. Apesar de não envolverem violência grave, o secretário ressaltou o impacto direto na população. “Para o cidadão que é vítima é importante. Perde uma bicicleta, perde um celular”, pontuou. Segundo ele, a maioria dos casos ocorre durante a madrugada, o que motivou a mudança de escala da Guarda Municipal. “A guarda está forte da meia-noite a cinco da manhã, que é o horário onde ocorrem 72% dos furtos”, explicou.
Araujo Gomes destacou ainda o combate à receptação como estratégia central para reduzir crimes patrimoniais, com foco em ferros-velhos, comércios informais e vendas online. Ele afirmou que a atuação será ampliada em diferentes frentes para identificar a circulação de produtos furtados.
Sobre a política voltada à população em situação de rua, o secretário afirmou que a gestão busca equilibrar acolhimento e rigor. “Quem quer ajuda […] é claro que a gente vai ajudar. Mas o cara que está na rua aproveitando da situação para cometer crime, com isso a gente tem que ser impiedoso na aplicação da lei”, declarou.
Ao final, Araujo Gomes afirmou que, apesar dos desafios, há expectativa de avanço nos indicadores. “Ainda não está bom. Vai ficar. […] Nós estamos intensificando as operações”, concluiu.
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